Wednesday, April 05, 2006

voando no passado e no presente

Há quase cem anos, um brasileiro subia ao céu. Na época isso era bastante incomum, afinal os balões eram raros e (ainda) pouco confiáveis. Mas aquela subida era ainda mais incomum, já que não era em um balão. Em 23 de outubro, Santos Dumont, um mineiro tímido de Barbacena fazia decolar o 14Bis. Afora as polêmicas sobre quem voou primeiro (foram mesmo os americanos, gente), o brasileiro deu contribuições muito maiores à aeronáutica do que os mecânicos donos de uma bicecletaria. É só ver o design dos aparelhos atuais e perceber que eles herdaram a cauda, a hélice propulsora (a que fica na frente) e outras caracteristicas do Demoiselle (mariposa em francês). O Flyer, embora tenha voado antes, o fazia de maneira mais precária que o 14Bis. Mas ele voou antes, sem dúvida.
Já no século XXI...

Um brasileiro foi ao espaço. E como não poderia deixar de ser, houve uma certa polêmica sobre isso. É claro que foi por razôes políticas. Nada mudou no nosso país e mandar alguém para o espaço (ainda mais em um foguete russo depois de receber treinamento na NASA) não significa nenhuma evolução para nós. Assim como na Indepêndencia e na Proclamação da República, o povo assistiu a tudo bestificado. Mérito mesmo merece o astronauta, por ter passado no ITA e se formado engenheiro, piloto militar e ter conseguido chegar entre os candidatos, a partir daí foi morro abaixo (fora o que teve que estudar na NASA, lógico).
Seria melhor que a nossa política terrestre conseguisse sair do nível do solo do desenvolvimento econômico e conseguisse voar em um FL (nível de vôo, medido em dezenas de centenas de pés) mais decente. Culpam as turbulências, um autêntico OVC (overcast, tudo encoberto), ou dizem que a taxa de ascensão nossa esta boa, mais que isso força o motor, tem que ser devagarinho mesmo. Só que ainda ninguém percebeu , ou assumiu, que a nossa hélice está em passo bandeira (posição que tira a capacidade de gerar empuxo útil, aquele que "puxa" o avião).
Deixa eu dar um recado pro tentente coronel:
-Ei, tenente, já que está ai em cima, trás os juros de volta!!!

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